terça-feira, 19 de agosto de 2014

ESCORPIÕES E BARATAS

Outro dia vimos num canal chinês da televisão um programa de culinária. Não entendemos o que estavam comentando. Mas, as imagens foram muito claras. Inicialmente mostraram uma profusão de escorpiões amontoados e vivinhos da silva. Depois já fritos e colocados em espetinhos. Por fim os frequentadores de um restaurante fino saboreando a especiaria aqui da China. Em seguida passaram a outro prato apreciadíssimo. Como introito uma moça chinesa levando o maior susto ao ver uma barata correndo perto de seu pé. Depois um criadouro de baratas. Caixas e mais caixas repletas do inseto, que é alimentado para ficar bem gordinho e mais saboroso. Os casais apaixonados tomando um bom vinho e devorando o seu prato bem elaborado com o bichinho. Perdemos a fome, é preciso dizer. A mesma coisa que aconteceria com eles se me vissem saboreando uma dobradinha.

LIVRO DE ETIQUETAS

Estou com um livro, de Laurence J. Brahm, chamado The Art of Deal in China, um guia prático com dicas e estratégias para se sair bem por aqui. Nas regras de etiqueta encontrei uma que me fez agradecer a Deus o fato de ter feito amizade, no avião, com um chinês que é empresário. Felizmente ele não é funcionário público. Vou explicar o porquê: se um agente do poder público lhe convidar para jantar e na hora de pedir a comida ele pedir que sirvam escorpiões fritos, você também está frito. Não pode recusar, pois isto é considerado uma desfeita e uma afronta. O Napoleão Bernardes, se estiver pensando em fazer uma visita oficial à China, deve se preparar para não ter uma grande surpresa. Bom, se a política é a arte de engolir sapos, o político também precisa estar preparado para comer escorpião e baratas.

CONFECÇÕES

Aqui em Xangai existem diversos mercados de confecções. Tive o prazer e o cansaço de visitar um deles. São vários andares e milhares de boxes de famílias chinesas que fazem tudo para lhe vender alguma coisa. Digo famílias porque trabalham a mulher negociando, o marido fiscalizando e as crianças por ali, algumas vezes chorando e gritando, outras dormindo sobre algumas peças de roupas, no chão. São corredores a perder de vista, cruzando com outros idem, com lojinhas de um lado e do outro, e em vários andares. Num a gente encontra roupa masculina, noutro feminina, noutro infantis. O pior é que a gente pechincha e pechincha, consegue comprar pela metade do preço que haviam pedido no início e dali a pouco encontra a mesma mercadoria mais barata em outro box do mercado de confecções. Mas, também não dá para se ir a todos os boxes, anotar os preços e depois sim decidir onde comprar. Mesmo assim saí com dor nos quadris e pedindo uma cama.

NAVEGAÇÃO

Quando me lembro que no nosso Rio Itajaí nem o "Manezinho Schiffe" do Décio Lima conseguiu navegar fico com inveja de Xangai. Cada vez que olho para fora da janela do hotel vejo passando navios no Huangpu. Um prédio aqui na frente e outro em construção deixaram um vão pelo qual avisto um pedaço do rio que corta a cidade. Outro dia visualizei seis embarcações passando neste pedacinho que enxergo daqui do 13º terceiro andar. Alguns são barcos de passeio, mas a maioria são chatas fazendo o transporte de mercadorias. Trânsito nos dois sentidos, porque o Porto de Xangai exporta muito, mas também importa bastante. Nas duas viagens que fiz, de trem bala e de ônibus, também vi muitos canais que abriram para possibilitar a navegação. O que não vi foi "pesque-pague". Já estou até pensando em arrumar um sócio e começar um por aqui.

JUVENIS

A China, que já realizou os Jogos Olímpicos de 2008 e assombrou o mundo com o Ninho do Pássaro e outras obras arquitetônicas, abriu, no sábado, em Nanquim, os II Jogos Mundiais Juvenis de Verão. Embora debaixo de chuva, o presidente chinês Xi Jinping, o presidente do Comité Olímpico Internacional, Thomas Bach, e mais um punhado de celebridades, entre as quais o Carlos Arthur Nuzmann que não poderia faltar, estiveram na cerimônia de abertura. O presidente chinês aproveitou a oportunidade para lançar a candidatura de Pequim, agora conhecida pelo nome chinês da capital Beijing, para organizar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022. Estão gostando da brincadeira.

A ABERTURA

Mais de 3.000 atletas de países do mundo inteiro participaram da festa de abertura e estão disputando as medalhas de ouro, prata e bronze. 60.000 espectadores no Estádio do Centro de Esportes Olímpicos de Nanquim. Desfile das delegações, dança folclórica, uma pirâmide humana de 52 metros de altura formada por alunos da Escola de Artes Marciais Shaolin Tagou e um show pirotécnico inovador. Foram 1.600 fogos de 40 tipos diferentes, 20 dos quais recentemente inventados por estudantes da Universidade de Ciências e Tecnologia de Nanquim e que poluem menos o ar, com menos carvão e pouca fumaça. Até agora acho que só ganhamos a medalha de prata no revezamento 4x100 feminino, pois, no pódio, apareceram as chinesas na parte mais alta e depois dois países de amarelo e verde, Brasil e Austrália. No canal esportivo, não entendo o que estão dizendo, mas vi que no voleibol de praia ganhamos no feminino das americanas e no masculino de um país que não identifiquei.

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